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Publicada em 14/11/2014

Madeira nobre valorizou 250% na última década, afirma especialista

Assunto foi debatido no seminário Mais Floresta, em MS.

Da Famasul

O setor de madeira nobre brasileiro participa com 3,2% da produção mundial, avaliada em 2012 em U$ 290 bilhões e com 7,6 milhões de hectares plantados. Apesar de ser uma cultura pouco difundida, o país já se destaca como referência na produção de madeira sustentável, cultura que obteve na última década (2000 a 2009) valorização de 250%, atraindo investidores de outros continentes.

As informações foram apresentadas pelo diretor do Clube da Madeira Nobre e do Grupo Fertille, Everton Regatieri, durante o seminário Mais Floresta, realizado na manhã desta quinta-feira (13), no auditório da Famasul – Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul.

Na palestra “Diversificação Florestal – florestas comerciais de curto, médio e longo prazo”, Regatieri elencou os pontos positivos e negativos que os interessados em atuar na produção de madeira nobre enfrentam. “A produção comercial no País ainda é pequena e mal orientada e isso prejudica a formalização do trabalho em média ou grande escala. Devido ao pouco conhecimento do assunto, existem hoje 50 mil hectares de florestas abandonadas, o que causa insegurança em quem pretende investir no setor”, explicou o especialista.

Entre as principais dificuldades elencadas pelo empresário está a falta de uma política governamental que invista em linhas de crédito para fomentar novos plantios, carência de linhas de pesquisas seguras, profissionais e empresas especializadas em prestar consultoria. As consequências destes fatores podem ser evidenciadas no plantio em pequena escala, poucas informações sobre o manejo e a baixa diversificação de espécies (falta de maciço florestal).

Orientações básicas – Regatieri explicou que os interessados em iniciar uma produção devem começar em áreas a partir de 10 hectares, com previsão de primeira retirada (desbaste) em 10 anos. A segunda extração pode ser feita após cinco anos com expectativa de rendimentos de até cinco vezes o valor do investimento, no caso do mogno.

Os produtores que desejarem investir em florestas de duas espécies podem começar pela mais econômica e rápida que é o eucalipto, aliado a uma madeira nobre. “A proporção indicada é de 75% de eucalipto e 25% de mogno, visto que o primeiro começa ser cortado em menos de um ano, enquanto a madeira demora em média uma década”, reforçou o palestrante.

Outra informação importante pontuada na apresentação foi o custo inicial que o empresário terá com produção, avaliado em R$ 5,2 mil por hectare, incluindo serviços, insumos, acompanhamento técnico e até replantio. “O setor florestal brasileiro é um dos mais promissores do mundo, no entanto, apesar do crescimento expressivo ainda é visto como ‘nicho de mercado’. Por isso, é necessário que todos os envolvidos trabalhem alinhados, visando profissionalizar a produção comercial”, finalizou.

Mitos e Verdades

A maior parte dos produtores ainda têm dúvidas sobre o plantio e cuidados, por isso, Regatieri esclareceu o que é correto e incorreto. Entre as inverdades mais aceitas estão: madeira nobre é só plantar e voltar depois de 20 anos para cortar e obter altos lucros, não sofre ataque de pragas, plantio sem orientação profissional e a técnica ser a mesma do eucalipto, por exemplo. As informações corretas que devem ser observadas sobre o cultivo são a necessidade de auxílio técnico constante e monitoramento das árvores, pois a infestação de formigas é um dos problemas mais comuns e as variedades não podem ser cultivadas em qualquer região do país, pois, necessitam de solo e clima adequado.