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Publicada em 28/11/2012

Pecuária brasileira precisa agregar valor a carne, diz pesquisador da Embrapa

Embrapa Gado de Corte promove seminário em Campo Grande para discutir o assunto.

Anderson Viegas

O grande desafio da pecuária brasileira para aumentar sua competitividade é fazer com que a carne que produz deixe de ser apenas uma commoditie e ganhe valor agregado, oferecendo ao mercado interno e externo produtos diferenciados. A avaliação foi feita pelo pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Guilherme Malafaia (em destaque na foto), nesta segunda-feira (26), durante o 1º Seminário sobre Potencialidades de Agregação de Valor na Cadeia Produtiva de Pecuária de Corte no Mato Grosso do Sul (Origem 2012).

Malafaia apontou que o Brasil, conforme dados de 2011, tem um rebanho de aproximadamente 208 milhões de animais, com abate anual de cerca de 39,5 milhões de animais e produção de 9,1 milhões de toneladas de carne. Desse total de carne produzida, 7,6 milhões de toneladas (83,5%) são destinadas ao mercado interno e 1,5 milhão de toneladas (16,5%) a exportação.

O pesquisador citou dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e Scot Consultoria que apontam que em 2010 e 2011 o Brasil foi o principal exportador de carne bovina no mundo e que todas as projeções apontam para o aumento da demanda mundial por carne nos próximos anos em razão do crescimento demográfico, aumento da renda, principalmente nos países em desenvolvimento e urbanização.

Entretanto, ele lembra, que o consumidor em âmbito mundial está mais exigente quanto a qualidade dos produtos que consume e que está disposto a pagar mais por produtos que tenham sido produzidos de maneira sustentável. Em razão desse contexto e para que tenha condições de aproveitar as oportunidades de mercado, o pesquisador diz que a pecuária brasileira tem de ser analisada sob um outro ponto de vista, o da agregação de valor, em um processo em que todos os elos da cadeia produtiva tem de ser mobilizados.

Para que ocorra essa agregação de valor, gerando benefícios em toda a cadeia produtiva ele cita que existem dez desafios a serem superados: reforma no ambiente institucional (discutindo aspectos como logística, estoques, protecionismo, futuros e financiamento), inovação e tecnologia, captura de valor, diversificação, controle dos custos, cooperativas, parcerias e alianças, responsabilidade social e ambiental, transparência e comunicação, produção orgânica e procedência, planejamento e gestão estratégica de sistemas.

Por fim, Malafaia citou o caso da Cota Hilton como um exemplo de como a pecuária brasileira ao deixar de agregar valor aos seus produtos sofre prejuízos. A cota é um programa de exportações de cortes de qualidade para a União Europeia. A brasileira é de 10 mil toneladas por ano cota, mas no ano cota 2009/2010 o País vendeu para o bloco somente 800 toneladas (8% do que poderia) e depois esse volume foi reduzido ainda mais, no ano cota 2010/2011 caiu para 400 toneladas (4%). “Isso fez com que o Brasil deixasse de ganhar neste período US$ 82 milhões), concluiu.

Para impedir que situações como a da Cota Hilton se repitam, o pesquisador ressalta que a pecuária nacional tem de se diferenciar e diversificar. Entre as medidas para diversificar estão a criação de marcas de qualidade para seus produtos e a produção de novos cortes voltados para atender determinados nichos de mercado.