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Agrobussines

Publicada em 20/06/2014

Artigo: Você já pensou em aumentar seu lucro em até 28%?

É preciso aumentar o desempenho do animal e a rentabilidade do rebanho.

*Argeu Silveira

Pesquisas apontam que até 2050, a abertura das terras no mundo, vai aumentar apenas 1 a 2%, e a população vai dobrar.

Com o crescimento de outras culturas que envolvem a produção de grãos, de madeira e de cana-de-açúcar, o espaço destinado à pecuária vem diminuindo consideravelmente. Um dos grandes desafio do setor é conseguir produzir em maior quantidade, numa menor área e cada vez mais, em menos tempo. O uso de tecnologias e ferramentas que reduzam o ciclo do rebanho é mais do que uma realidade, é uma necessidade tanto do pequeno como do grande produtor.

Diante deste cenário, uma dúvida surge tanto por aquele que produz genética com foco no fornecimento de reprodutores e matrizes de alto valor zootécnico, como por quem faz o ciclo completo de cria, recria e engorda, que fornece carne para o mercado. Como posso ter maior quantidade de carne no animal que eu produzo, melhorando não só a minha receita, mas alcançando maio lucratividade?

Para nós da Genética Aditiva, que desde a década de 80 investimos na busca constante por melhores resultados do rebanho, principalmente na seleção genética com foco em ganhos econômicos, essa pergunta pode ser respondida de uma maneira: focando em desempenho econômico , vejamos o rendimento de carcaça.

Atualmente a indústria frigorífica agrega valor a cinco importantes cortes de carne bovina que são divididos em dois grupos: o que corresponde em torno de 3 a 4kg do boi – Filé, Picanha, Alcatra e Ponta de Costela; e o que corresponde a 16 kg do boi – o Contra-filé, peça extremamente valorizada pelos europeus e americanos, um indício de que quanto maior o contra-filé, maior o valor da carcaça.

O pecuarista pode hoje identificar dentro da propriedade se o animal que ele produz está desenvolvendo bem essas partes tão valorizadas pelo frigorífico, através da ultrassonografia de carcaça, onde pela área de olho de lombo é possível não só ver o tamanho da peça mais valorizada da carcaça, o contra-filé, mas também identificar a gordura presente nessa peça, e na picanha por exemplo, o marmoreio, que demonstram a suculência do produto.

Genética Aditiva realizamos o exame em todos os animais, machos e fêmeas, por volta dos 16 meses de idade, todos nas mesmas condições de ambiente.

Porém a dúvida que fica ainda sem resposta é: como melhorar esse rendimento? É onde surge o desafio de identificar quais os animais carregam essa importante característica econômica e que realmente traz o diferencial na produção e principalmente como implementa-los em seu rebanho.

É aí que a tecnologia e as ferramentas atuais de seleção entram em uso, como a DEP – Diferença Esperada na Progênie, onde através dos números conseguimos apontar qual o animal consegue repassar as demais gerações as características econômicas que buscamos, neste caso, do melhor rendimento de carcaça através da DAOL – DEP de área de olho de lombo, sendo que a cada 2 pontos de DAOL equivale a 1% do rendimento de carcaça.

Exemplificando: Temos dois touros no mercado real com sêmen disponível em central, o Touro A e o Touro B. O Touro A possui DAOL 5.13 (positivo) já o Touro B possui DAOL -3,37 (negativo). Usando esses reprodutores em um rebanho puro cujo os filhos, no sobreano, possuam o mesmo peso vivo de 500 kg e que a arroba seja comercializada a R$120,00 fazemos o seguinte cálculo:

FILHO TOURO A - 5.13 (Daol)/2 = 2.56 de rendimento

2.56x 500kg = 12.80 kg de carcaça

Em valores 12.80kg/15 x @R$120,00 = R$102 a mais de lucro por boi a abatido

FILHO TOURO B - -3.37 (Daol)/2 = -1.68 de rendimento

-1.68 x 500kg = -8.4 kg de carcaça

Em valores - 8.4kg/15 x @R$120,00 = R$67,00 a menos de lucro por boi abatido

*Dados dos touros retirados de consulta pública de animais participantes do programa de melhoramento genético da ANCP.

Portanto, através da conta, entendemos que usando um animal que consiga transmitir a característica econômica que buscamos, o produtor terá 28% de lucro a mais de ganho, pois de um animal para o outro a diferença apenas no rendimento de carcaça. Isso não considerando as demais DEPs.

Através do exemplo é possível concluir então que é uma das formas de competir com os demais setores e com o menor espaço disponível para a pecuária atual é através do uso de tecnologia, seleção e avaliação genética, aumentando assim o desempenho de cada animal e consequentemente a rentabilidade do nosso rebanho.

Para produzirmos a genética que faz a diferença, muitos aspectos são levados em consideração, mas para o produtor que apenas adquire essa genética e repassa ao rebanho o segredo é só um: adquirir e utilizar o touro certo, fruto de uma seleção genética de alta acurácia e que possa imprimir maiores lucros na produção.

A mensagem que deixamos é a seguinte: antes de tomar o remédio, leia a bula. Adquirindo reprodutores superiores, o rebanho da próxima geração com certeza lhe dará melhores resultados e aumento da lucratividade.

*Médico Veterinário Genética Aditiva