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Agrobussines

Publicada em 22/05/2014

Produtores querem certificação geográfica do queijo artesanal em MS

Os queijos artesanais são preparados com leite cru em processos tradicionais.

Da assessoria

Produtores de queijo artesanal de Mato Grosso do Sul estão buscando a padronização das características do produto, de acordo com cada microrregião do Estado, além de uma marca de uso coletivo, a exemplo do que acontece com o queijo de Minas.

Estas e outras questões foram debatidas nesta terça-feira (20), em Campo Grande, em reunião que contou com a presença da deputada estadual Mara Caseiro (PTdoB), terceira vice-presidente da Assembleia Legislativa, do secretário de Estado de Desenvolvimento Agrário, da Produção, da Indústria e do Comércio, Paulo Engel, do presidente da Associação de Produtores de Queijo Artesanal, Danilo Pereira Barbosa, do diretor da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural), José Antônio Roldão, da diretora da Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal), Maria Cristina Carrijo, consultores e veterinários.

Os queijos artesanais são preparados com leite cru e o processo de produção tradicionalmente tem sido passado de geração em geração. Diferenciam-se da produção industrial pelo fato de não usarem processos mecanizados de produção nem de pasteurização do leite. O modo de fazer destes queijos está associado ao modo de vida dos produtores e à bagagem cultural das regiões produtoras.

Na prática, os produtores de queijo artesanal em Mato Grosso do Sul buscam uma certificação do produto, conforme as características regionais, e criação de uma marca que possa ser utilizada coletivamente, com a regulamentação da lei 2.820/04, que dispõe sobre o processo de produção do Queijo Artesanal Caipira, e dá outras providências.

De acordo com o presidente da Associação de Produtores de Queijo Artesanal, Danilo Barbosa, vários estados brasileiros, incluindo Mato Grosso do Sul, estão na luta para qualificar, diferenciar, certificar e legalizar seus produtos.

Conforme a deputada Mara Caseiro, que representou a Assembleia Legislativa durante a reunião, estes esforços podem resultar em uma certificação de identidade geográfica do queijo, a exemplo do que já acontece com o conhecido queijo Minas, fabricado em Minas Gerais.

“A ideia é seguir o exemplo deste estado, sobretudo em relação à legislação e às normas de fabricação, transporte e padronização regional, visando a adoção de regras claras que facilitem a comercialização do produto, inclusive fora do Estado e do País”, afirmou.

Para dar andamento ao processo de identidade do queijo artesanal, a proposta é que três etapas sejam obedecidas: realização de estudo piloto, levantamento histórico e produção bibliográfica e caracterização do queijo artesanal.

Em Mato Grosso do Sul, 14 municípios estão envolvidos neste processo: Água Clara, Aquidauana, Bandeirantes, Camapuã, Campo Grande, Corguinho, Dois Irmãos do Buriti, Jaraguari, Ribas do Rio Pardo, Rochedo, Santa Rita do Pardo, São Gabriel do Oeste, Sidrolândia e Terenos.

De acordo com o pesquisador Victor José Moreno, de Juiz de Fora, Mato Grosso do Sul deu um grande passo com a publicação da Lei nº 2.820, para garantir a qualidade e comprovação de origem do produto, mas ainda é necessário evoluir a legislação, a exemplo de Minas Gerais.