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Agrobussines

Publicada em 13/05/2014

Crise do setor produtivo atrapalha moagem no início da safra

Houve atraso no início de safra por muitas unidades produtoras.

Da assessoria

O volume processado de cana-de-açúcar pelas unidades produtoras da região Centro-Sul do País atingiu 23,89 milhões de toneladas na segunda quinzena de abril, 25,69% inferior ao valor registrado no mesmo período da safra 2013/2014 (32,14 milhões de toneladas).

No acumulado desde o início da atual safra até 30 de abril, a moagem também permanece aquém da quantidade verificada no ano anterior. Em 2014, nesse período foram processadas 40,30 milhões de toneladas, contra 41,72 milhões de toneladas apuradas até a mesma data de 2013 – queda de 3,40%.

Apesar do clima mais seco vigente em março e abril deste ano, houve atraso no início de safra por muitas unidades produtoras. Levantamento realizado pela UNICA em janeiro indicava 256 usinas com planejamento de início das atividades até o final de abril. Entretanto, a quantidade efetivamente observada de 215 empresas foi significativamente inferior ao previsto e também está abaixo das 236 unidades em operação registradas na mesma data da safra 2013/2014.

Segundo o diretor técnico da UNICA, Antonio de Padua Rodrigues, “várias usinas postergaram o início de safra devido às condições climáticas, em alguns casos reduzindo a estimativa da oferta de cana. Outro fator adicional que contribuiu para este início tardio das operações refere-se aos atrasos tanto na manutenção durante a entressafra – diante das dificuldades financeiras enfrentadas por diversas unidades produtoras – quanto na entrega de equipamentos pela indústria de bens de capital, que também sofre com a difícil situação do setor sucroenergético”.

Além disso, muitas empresas que anteciparam o início da safra depararam-se com problemas de parada de suas atividades, em decorrência da manutenção deficiente realizada ao longo da entressafra e das chuvas pontuais que atrapalharam a operacionalização da colheita, concluiu o executivo.

Rodrigues enfatiza que, em momentos de crise, é natural que as unidades produtoras em dificuldade financeira reduzam os tratos culturais, bem como a manutenção de equipamentos industriais e máquinas agrícolas. “Esse aspecto, além da perspectiva de clima mais chuvoso no segundo semestre, pode comprometer a moagem ao longo dos demais meses”, acrescentou.

Produtividade e qualidade da matéria-prima

A concentração de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de matéria-prima processada atingiu 110,20 kg na segunda quinzena de abril, ante 113,76 kg computados em igual período da safra 2013/2014.

Esse indicador, contudo, não reflete a realidade do setor sucroenergético. Na prática, análises laboratoriais indicam que a qualidade da matéria-prima está superior àquela registrada em 2013; em contrapartida, há um volume expressivo de cana-de-açúcar que não está sendo colhido no ponto ideal de maturação, pois o manejo da colheita está sendo conduzido visando corrigir os problemas oriundos tanto da geada ocorrida na safra passada quanto da seca observada no início de 2014.

Em relação à produtividade agrícola, levantamento realizado pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) indica que o rendimento médio da lavoura colhida em abril totalizou 75,30 toneladas de cana-de-açúcar por hectare, frente a 83,00 toneladas computadas no mesmo mês do ano anterior – redução de 9,28%.

Para o executivo da UNICA, “essa queda já era esperada e reflete o longo período de seca verificado no início de 2014”. Ademais, nossa principal preocupação refere-se às áreas que serão colhidas nos dois últimos meses da atual safra, pois estas permanecem afetadas pela escassez de chuvas enfrentadas em muitas regiões canavieiras, principalmente no Estado de São Paulo, acrescentou Rodrigues.

Produção de açúcar e etanol

Do volume total de cana-de-açúcar processada do início da safra 2014/2015 até 30 de abril, 35,69% destinou-se à produção de açúcar, queda significativa em relação aos 39,36% apurados no mesmo período de 2013.

Com isso, a produção de açúcar acumulada desde o início da safra até o final de abril somou 1,47 milhão de toneladas, retração de 13,33% no comparativo com idêntico período da safra anterior. Na última quinzena do mês, a fabricação de açúcar alcançou 930,56 mil toneladas, contra 1,46 milhão de toneladas no último ano (queda de 36,12%).

Segundo o diretor da UNICA, “até o momento, a produção de açúcar acumulada na atual safra já é 170 mil toneladas inferior àquela verificada na safra 2013/2014”.

A fabricação acumulada de etanol, por sua vez, atingiu 1,64 bilhão de litros até o final de abril, praticamente o mesmo volume observado em 2013 (1,62 bilhão de litros). Deste total produzido, 524,26 milhões de litros referem-se ao etanol anidro e 1,12 bilhão de litros ao etanol hidratado.

Na segunda metade de abril, a produção de etanol totalizou 974,26 milhões de litros, sendo 311,08 milhões de litros etanol anidro e 663,18 milhões de litros de etanol hidratado.

Vendas de etanol pelas unidades produtoras

As vendas de etanol pelas unidades produtoras da região Centro-Sul em abril somaram 1,81 bilhão de litros, aumento de 10,65% comparativamente ao mesmo período do ano anterior (1,64 bilhão de litros). Este crescimento decorre essencialmente da expansão do volume comercializado no mercado doméstico, que somou 1,64 bilhão de litros, ante 1,57 bilhão de litros registrados em abril de 2013 – crescimento de 4,63%.

As exportações, por sua vez, alcançaram 170,28 milhões de litros no mês, mais do que o dobro do montante exportado em abril de 2013. “Esse incremento deve-se a uma janela de oportunidade de exportação ao mercado americano, cuja remuneração foi cerca de 4,0% superior àquela proporcionada pela comercialização do etanol anidro no mercado interno. Contudo, este é um movimento pontual, não comprometendo a garantia de oferta do produto para o mercado doméstico”, explicou o diretor da UNICA.

As vendas internas de etanol anidro totalizaram 662,12 milhões de litros em abril, aumento de 19,71% sobre o valor registrado no último ano, quando o teor do produto adicionado à gasolina era de 20%. Já o montante comercializado de etanol hidratado, atingiu 979,92 milhões de litros, próximo aos 1,02 bilhão de litros verificados em 2013.

O executivo da UNICA explica que “nos últimos 27 dias enquanto o preço do etanol hidratado carburante recebido pelo produtor no Estado de São Paulo caiu 19,31%, nos postos de combustíveis a retração foi menor: apenas 0,49%”. A expectativa é que a demanda pelo biocombustível aumente nas próximas semanas, quando esta queda no preço do produtor será efetivamente repassada ao consumidor final, destacou Rodrigues.