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Agrobussines

Publicada em 07/05/2014

IAC inaugura Centro de Seringueira e Sistemas Agroflorestais

Evento será nesta sexta-feira, 9, em Votuporanga.

Da assessoria

A solenidade de inauguração do Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócio de Seringueira e Sistemas Agroflorestais do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, será realizada nesta sexta-feira, 9 de maio de 2014, às 10h30, em Votuporanga, interior paulista. A transferência de tecnologia e a inovação compõem o perfil do programa de melhoramento de seringueira do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo. E este será o tom do evento.

A equipe organizou três palestras envolvendo áreas de pesquisas desenvolvidas na Unidade. O tema “Sistemas Agrossilvipastoris no Estado de São Paulo” será abordado pelo pesquisador do IAC, Wander Borges, às 9h. “Pesquisa e desenvolvimento da heveicultura no Estado de São Paulo” serão tratados pelo pesquisador, Paulo de Souza Gonçalves, às 9h30. “Boas práticas no cultivo da seringueira” serão o assunto da palestra do pesquisador do Instituto, Erivaldo Scaloppi Junior, às 10h. Após essas atividades de transferência de tecnologia, haverá a apresentação do Centro, às 10h30, seguida da inauguração e de homenagens.

A Unidade de pesquisa da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), em Votuporanga, tornou-se um centro especializado em heveicultura a partir de decreto assinado em 4 de dezembro de 2013, pelo governador Geraldo Alckmin. Ao transformar a Unidade da APTA em Centro de pesquisa buscou-se reunir competências multidisciplinares no Centro, com pesquisas com seringueira e sistemas integrados de produção agropecuária e de espécies florestais de interesse econômico.

Perfil do Centro

A área tem 30 hectares com seringueira, onde são conduzidas pesquisas com cerca de 600 clones da cultura. O banco de germoplasma, com cerca de 200 acessos, somado às coleções que ficam no IAC, em Campinas, e no Polo da APTA, em Mococa, compõe uma das maiores coleções da espécie no Brasil. Na fazenda Santa Elisa, do IAC, em Campinas, há cerca de cem clones, introduzidos em 1952.

Com estudos em seringueira desde a década de 50, focados em obtenção e avaliação de materiais, o IAC, um dos seis institutos coordenados pela APTA, já lançou 31 clones de seringueira, todos registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Os pacotes tecnológicos gerados e transferidos pelo IAC contribuíram para fazer de São Paulo o maior produtor nacional de borracha natural. As mais recentes contribuições do Instituto foram a disponibilização de 15 clones da série IAC 500, que se caracteriza por apresentar redução do período de sangria de sete para cinco anos, com produtividade superior ao clone RRIM 600, o mais cultivado no Brasil. Esses materiais já estão à disposição dos heveicultores paulistas.

De acordo com o pesquisador responsável pelas pesquisas no IAC, Paulo de Souza Gonçalves, a expectativa é reforçar os estudos nas regiões produtoras, onde tem ocorrido aumento de problemas fitossanitários, em razão da ampliação das populações de seringais. “Precisamos reforçar as pesquisas em tecnologia de produção, fisiologia e fitotecnia”, diz.

Com o sistema agroflorestal, espera-se minimizar ou eliminar ocorrências de percevejo de renda, ácaro e antracnose. O pesquisador comenta que a região paulista do Vale do Ribeira, onde a incidência do Mal-das-Folhas inviabiliza o cultivo da seringueira “solteira”, deverá ser beneficiada com a adoção do sistema agroflorestal. Essa alternativa já é adotada na Bahia, onde o cultivo da seringueira é feito juntamente com o cacau, a fim de evitar doenças.

Antes de a Unidade da APTA ser nomeada Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócio de Seringueira e Sistemas Agroflorestais do Instituto Agronômico (IAC), o programa de melhoramento genético de seringueira do IAC já era desenvolvido em parceria com esta Unidade, em Votuporanga. Até dezembro de 2013, toda a parte estratégica do programa de seringueira era desenvolvida em Campinas, sob a liderança de Gonçalves, que tem 41 anos de experiência em heveicultura. As ações práticas de experimentos e multiplicação de clones já eram realizadas em Votuporanga, sob os cuidados do pesquisador Erivaldo José Scaloppi Junior, com a coordenação de Gonçalves.

Dedicado à genética e ao melhoramento de seringueira desde os seus 22 anos de idade, Gonçalves também é orientador no curso de Pós-Graduação em Agricultura Tropical e Subtropical do IAC. Ele pretende continuar colaborando na formação de novos pesquisadores, que no futuro darão sequência às atividades no Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócio de Seringueira e Sistemas Agroflorestais.

Gonçalves ressalta que a seringueira é cultura perene e, por isso, para chegar a um novo clone são necessários 30 anos de pesquisa. O principal objetivo do trabalho do Instituto Agronômico é obter clones com alto potencial de produção, vigor e outros caracteres adaptados às diferentes condições edafoclimáticas do Estado de São Paulo.