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Publicada em 30/04/2014

Algodão: produtores encontram dificuldades para controlar bicudo

Informação é um dos destaques do relatório semanal da Ampasul.

Da assessoria

O relatório semanal do Programa Fitossanitário do Algodão da Associação Sul-Mato-Grossense dos Produtores de Algodão (Ampasul) chama a atenção para o aumento da dificuldade para o controle do bicudo, neste importante momento da cultura do algodão em Mato Grosso do Sul.

“Com a retirada do mercado de moléculas inseticidas para o bicudo do algodoeiro em tempos recentes e o menor poder residual dos produtos remanescentes estão dificultando o controle da praga de modo efetivo. Da mesma forma, as restrições legais de uso de neonicotinóides para percevejo têm agravado os problemas com esta praga em algumas localidades. De outro lado, a ampla adoção de algodão-Bt (transgênico) no Estado diminuiu os problemas de lagartas, de modo generalizado. Nota-se que há um menor uso de inseticidas (quantidade de ingrediente ativo) por hectare já que diminuiu muito o uso de misturas destes produtos nas aplicações, em comparação com anos anteriores, o que é bom para o meio ambiente e a economicidade do sistema de produção.

Quanto às doenças, a ramulária e o apodrecimento de maçãs continuam sendo as principais ameaças”, alerta o engenheiro agrônomo Danilo Suniga de Moraes, coordenador técnico do programa.

O apodrecimento das maçãs do algodoeiro, comum no período reprodutivo e agravado com as constantes chuvas, intercaladas com dias quentes e de sol forte também foi apontado no levantamento.

Na região central os problemas são parecidos com aqueles encontrados no norte e nordeste, mas já se cogita a possibilidade de nos próximos anos 100% da área seja cultivada com algodão adensado, hoje está em 80%. O sistema mostra-se mais eficiente para o controle das pragas e evita o apodrecimento de maçãs.

Além do bicudo, outras pragas como lagartas merecem atenção do produtor. No sul do Estado observou-se ataque mais agressivo do percevejo, que migrou das lavouras colhidas de soja para o algodão.

O Programa da Ampasul ainda coordena o monitoramento das mariposas, para uma eficiente estratégica de controle, porem vários produtores não estão colaborando e não realizam e ou não fornecem os dados para a Ampasul, o que pode prejudicar o bom andamento do sistema de monitoramento e o planejamento do controle das pragas. Igualmente está em andamento a coleta de amostras de solo para monitoramento dos nematoides.

Ainda no Sul de MS, com a formação dos capulhos do ponteiro do algodão, foi possível observar que naquela região, o que causou mais danos às lavouras foram os percevejos, e não os bicudos, os ataques ocorreram quando a soja foi colhida e os percevejos migraram para o algodão. Algumas áreas tiveram perdas de mais de 10 capulhos por metro, provocando uma redução na produtividade esperada.

Novamente fica evidente que a diminuição da importância relativa das lagartas pelo uso de plantas transgênicas (Bt) resistentes obriga os produtores a terem atenção redobrada com as pragas sugadoras e o bicudo.

O plantio do algodão na Região Sul é realizado no mês de outubro e novembro, e, assim sendo, no momento da colheita da soja, o algodão está na fase de enchimento das maçãs do ponteiro, dessa forma, o controle dos percevejos que migram da soja para o algodão deve ser muito mais rigoroso, principalmente na soja, lembrando que esta praga causa grandes perdas de produtividade.