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Publicada em 30/04/2014

Unica diz que ministro da Fazenda se equivocou ao falar sobre setor

Guido Mantega creditou a crise no setor a gestão de empresas.

Da assessoria

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) considera desinformadas e, portanto, equivocadas as declarações do ministro da Fazenda divulgadas nesta segunda-feira (28) em diversos veículos de comunicação, sugerindo que é preciso melhorar a gestão das empresas para superar a crise sem precedentes que assola o setor sucroenergético. Trata-se de mais um raciocínio distorcido, a exemplo de outras explicações incompletas lançadas nos últimos dias por integrantes do governo e pela presidente da Petrobras.

Demonstrando nível preocupante de desinformação para uma autoridade governamental, o ministro afirmou que o governo ‘já faz sua parte’ em relação ao setor, concedendo ‘financiamentos privilegiados a custos reduzidos’ e que o governo não pode aumentar o preço da gasolina ‘só para viabilizar o setor’. São afirmações que representam uma visão muito limitada da realidade e ilustram novamente o esforço constante do governo para negar os danos que vem sendo causados ao setor. É uma postura que surpreende, dada a intensidade com que essa realidade vem sendo detalhada nos últimos anos em encontros frequentes com inúmeros interlocutores de vários ministérios, inclusive o da Fazenda.

Para a Unica, o uso de tais argumentos pretende desviar do governo federal, diante da opinião pública, sua notória parcela de responsabilidade pelas dezenas de usinas fechadas e dezenas de milhares de empregos perdidos no setor sucroenergético. Pretende ainda tratar um eventual aumento no preço da gasolina, que se torna cada vez mais inevitável, como se fosse o atendimento a uma demanda do setor sucroenergético e não como o que de fato será: apenas a correção de uma grave distorção causada pelo próprio governo, com consequências destrutivas não apenas para o etanol mas também para o valor e as contas da Petrobras, fatos estampados quase diariamente na mídia brasileira e mundial.

Para a Unica, os porta-vozes do governo que vem se manifestando sobre o setor sucroenergético precisam assumir as responsabilidades que cabem ao governo. Pouco adiantam autoelogios sobre financiamentos oferecidos, já que 40% das empresas do setor não tem acesso a esses recursos, devido às condições precárias em que se encontram suas finanças e níveis de endividamento, resultado direto das interferências governamentais na área de energia como um todo. Empresas que não conseguem renda a partir da venda de seus produtos não vão arriscar ainda mais seu negócio, tomando novos empréstimos que no futuro não poderão pagar, por melhores que sejam os juros.

Acima de tudo, o governo precisa assumir perante a opinião pública que as políticas adotadas e mantidas para a área de energia representam verdadeiras bombas de efeito retardado, com elevado potencial para causar danos amplamente na sociedade quando finalmente ocorrerem aumentos que vem sendo represados. Antes mesmo que essas consequências ocorram, espera-se do governo mais transparência do que vem sendo demonstrado para explicar à população os reais motivos por trás desses impactos. Ao invés disso, o que se tem visto são esforços e declarações desenhadas para transferir a culpa para outros setores.

Estivesse o governo mais atento às informações encaminhadas sistematicamente há anos pela Unica, saberia que nunca, em nenhum momento, foi pedido ao governo pelo setor sucroenergético o aumento da gasolina. O setor pede, isto sim, que o governo resolva o problema que ele mesmo causou, com sua postura relativa à inflação: a de que é melhor ‘segurar’ os índices inflacionários controlando preços públicos do que enfrentar os reais motivos que causam a inflação.

Na visão da Unica, há muito tempo não há mais dúvida que a gravidade da situação enfrentada pelos produtores de etanol tem raízes que levam diretamente a um conjunto de políticas públicas inadequadas adotadas pelo governo, políticas essas condenadas amplamente por especialistas e observadores de todos os matizes políticos e econômicos. É inadmissível que o governo federal continue insistindo em subsidiar a gasolina, priorizando um combustível fóssil em detrimento de outro limpo e renovável, produzido com tecnologia, máquinas, equipamentos e profissionais brasileiros. Mais grave ainda é não tratar com respeito empresários e trabalhadores do setor sucroenergético, que clamam por políticas públicas que devolvam a competitividade do etanol.

Se mantidas, a teimosia e o equívoco do governo seguirão cobrando um preço salgado da sociedade brasileira: a paralisação dos investimentos para a expansão do setor sucroenergético e a destruição de milhares de postos de trabalho.