Canais de Notícia

Agrobussines

Publicada em 23/04/2014

Moagem de cana deve cair 2,84% na safra 14/15, projeta Unica

Usinas do Centro-Sul do Brasil devem processar 580 milhões de toneladas.

Da assessoria

A moagem de cana-de-açúcar deve cair 2,84% no Centro-Sul do Brasil na safra 2014/2015 frente a anterior, passando de 596,94 milhões de toneladas para 580 milhões de toneladas, segundo projeção divulgada nesta quarta-feira (23), pela União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica).

A entidade atribui a estimativa de queda de processamento da matéria-prima do setor sucroenergético aos efeitos nos canaviais de um longo período de estiagem registrado entre o fim de 2013 e o início de 2014.

Conforme a Unica, a área destinada a cultura deve aumentar 5% neste ciclo, mas a escassez de chuva deve provocar uma queda de produtividade de aproximadamente 8%.

Número de unidades em operação

Seguindo preocupante tendência observada nos últimos anos, pelo menos 10 unidades produtoras podem confirmar a paralisação das atividades na safra 2014/2015. Dessa forma, apesar de uma nova unidade prevista para iniciar a moagem, o número total de usinas na região Centro-Sul deverá ser novamente reduzido este ano.

Segundo o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, “o cenário é preocupante: além das 10 usinas que poderão fechar, existem mais de 30 unidades em processo de recuperação judicial e várias outras com condição financeira bastante delicada”.

Qualidade da matéria-prima

A projeção para a quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis por tonelada de cana-de-açúcar é de 135,00 kg na safra 2014/2015 contra 133,33 kg verificados no último ano.

Essa expectativa reflete a previsão de clima mais seco nos primeiros meses desta safra na comparação com as condições observadas em 2013, que apresentou índice de precipitação pluviométrica acima da média histórica no período de março a junho.

Produção de açúcar e de etanol

Do total de cana-de-açúcar a ser processada na safra 2014/2015, a Unica estima que 56,44% deverá ser destinada à produção de etanol, expressivo aumento de 1,66 ponto percentual em relação ao valor registrado na safra 2013/2014.

Com isso, a produção de açúcar projetada é de 32,50 milhões de toneladas, queda de 5,23% no comparativo com a quantidade apurada na safra 2013/2014 de 34,29 milhões de toneladas.

Esse cenário fundamenta-se na expectativa de que a menor demanda por açúcar no mercado físico, a necessidade de liquidez por parte das unidades produtoras com problemas financeiros e a atual receita obtida com a venda de açúcar, que é inferior àquela proporcionada pelo etanol, possam levar a um mix de produção mais alcooleiro.

De acordo com o diretor da Unica “as cotações futuras do açúcar no mercado internacional e do etanol no mercado doméstico indicam uma receita favorável ao biocombustível atualmente.” Para que esse quadro se reverta, é necessária uma queda significativa e pouco provável do preço do etanol ou, de forma equivalente, uma elevação do preço do açúcar em reais, acrescentou o executivo.

Nesse contexto, a produção esperada de etanol deverá atingir 25,87 bilhões de litros, leve aumento de 1,20% no comparativo com os 25,57 bilhões verificados na safra 2013/2014. Deste montante, 14,63 bilhões serão de etanol hidratado e 11,25 bilhões de litros de etanol anidro.

Os dados de produção estimados indicam, portanto, que a retração esperada na moagem de cana-de-açúcar não terá impacto na oferta de etanol ao mercado doméstico. Esse cenário poderá ser ainda mais positivo se houver um aumento na mistura de etanol anidro na gasolina para 27,5% a partir de 1º de julho.

“Se o nível de mistura for alterado, podemos observar uma queda ainda maior na produção de açúcar, com menor necessidade de importação de gasolina”, acrescentou Rodrigues.