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Agrobussines

Publicada em 09/04/2014

Jovens precisam de identidade, afirma presidente da SRB

Gustavo Junqueira diz que agronegócio precisa estreitar relacionamento com os jovens.

Da assessoria

O jovem do agronegócio brasileiro precisa encontrar sua identidade, precisa também da coletividade e, dentro desta realidade, as instituições representativas têm papel fundamental. A afirmação é do atual presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Gustavo Junqueira, que visitou nesta terça-feira (8) a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Sistema Famasul), com o objetivo de estreitar relacionamento com a diretoria da entidade e trocar experiências.

Na noite da última segunda-feira (7), o representante participou do lançamento do Agrojovem MS, na sede da Famasul, programa voltado ao empreendedorismo rural, e ficou muito bem impressionado com o envolvimento dos jovens sul-mato-grossenses com o setor.

Gustavo Junqueira assumiu a presidência da Rural este ano e vai comandá-la no período de 2014 a 2017. Junqueira é formado em administração de empresas e é mestre em finanças pela Thunderbird School of Management dos Estados Unidos.

Sistema Famasul - O senhor assumiu recentemente uma das mais tradicionais e conceituadas entidades representativas do agronegócio do Brasil. Quais são os planos iniciais?

Gustavo Junqueira - Acho que a ideia não é fazer uma revolução na Rural (SRB), esse não é o propósito. Uma organização que tem quase 100 anos, tem toda uma dinâmica de evolução. O mais importante é que continuemos mudando. A ideia, então, é trazer novas demandas, pessoas novas que possam entender de onde viemos e como nós viemos para que então consigamos fazer juntos o caminho pra onde vamos. Conhecendo o passado, você consegue ter um futuro mais objetivo.

A Rural é uma entidade política, ou seja, ela não é partidária, mas ela é política em sua essência, não estamos diretamente ligados a nenhuma atividade técnica e sim muito mais na liderança de conseguir fazer com que as demandas do agronegócio cheguem até àqueles, no Poder Público, que tomam as decisões e escrevem as leis e no fundo acabam definindo o nosso futuro. Então a Rural é essa casa onde todas essas demandas chegam e a gente consegue de uma maneira organizada levá-las adiante.

O meu plano é conhecer todos aqueles que são hoje os líderes do agronegócio, ou seja, aqueles que em cada Estado, em cada município, em cada região, estão fazendo alguma coisa pelo setor. No caso da Famasul, o presidente, Eduardo Riedel, é uma liderança local que respeitamos muito e que tem ideias claras de como ajudar toda uma sociedade que vive do negócio agrícola e pecuário.

SF - O senhor falou que a ideia, entre os seus projetos, não é fazer uma revolução e sim associar o que é tradicional e o que é inovação. Como podemos fazer a amarração dessas duas pontas?

GJ - Não temos sido eficientes na criação de novas lideranças, que estão ficando muito tempo nos cargos que ocupam, enquanto os jovens estão demorando muito tempo para atingir posições de responsabilidade.

Precisamos colocar o jovem e o mais velho trabalhando junto no período de dez anos. Neste período você consegue transferir experiência, intuição, casos que já aconteceram e que podem ser repetidos, dos mais velhos para os mais novos e você consegue transferir modernidade, audácia, novas tecnologias do mais novo para o mais velho. E à medida que esses dois mundos vivem e trabalham em conjunto você consegue que o mais velho fique de maneira ativa e no negócio por mais tempo e que o mais jovem consiga absorver a responsabilidade, a senioridade.

É isso o que eu estou fazendo na Rural. Há dois anos, criamos a Rural Jovem que é o nosso canal de comunicação, canal de contato, com a nova geração ligados ao agronegócio e que vê na Rural uma maneira de se expressar e de se envolver, principalmente sob a ótica política. Mas isso tava criando dois mundos: a “Rural Jovem” e a “Rural Velha”, que não interagiam. Como é que eu consigo fazer com que uma entidade que tem 100 anos passe a olhar para os próximos 100 anos e não para os 100 que passaram? Como se integra isso?

Em decisão interna, juntamente com o Conselho da entidade, resolvemos trazer os três jovens da Rural Jovem, na faixa dos 20 anos, que estão na faculdade ou recém formados, para a diretoria da Rural.

SF - O senhor encontrou resistência?

GJ - Não, encontrei muitos questionamentos sobre os riscos da decisão. Mas riscos existem e riscos não vão desaparecer. O fato é que você precisa conhecer o risco para poder administrar e com isso diminuir a chance de insucesso. Houve um debate grande e eu, como presidente, assumi a responsabilidade de ajudar esses jovens nestes cargos e a missão de crescerem e entenderem como é a nossa organização. E, por outro lado, tive o comprometimento deles de se dedicarem a uma posição que tem toda uma carga que eles terão que carregar. Isso fez com que mais jovens se interessarem pela instituição.

SF - Tivemos aqui na Famasul nesta semana o lançamento de um movimento jovem voltado ao empreendedorismo rural: o Agrojovem MS. Como o senhor avalia a mudança de postura dos jovens que querem tomar frente do negócio?

GJ - O jovem tem que fazer perguntas e obter as respostas de maneira prática e não ficar como expectador apenas, senão ele fica distante, olhando como se fosse um filme e que ele não tem nada a ver com aquilo. O jovem precisa de uma identidade, quando ele ouvir a palavra Agrojovem, o que aquilo significa? Que ele se pergunte: Eu faço parte dessa comunidade? Qual a minha responsabilidade? Este é o objetivo do projeto, juntamente com a Famasul, com a Rural e com a Confederação Nacional dos Jovens Empresários (Conaje).

SF. Qual seria então o maior obstáculo para o jovem, para encontrar essa identidade?

GJ - Disciplina e foco. Ninguém consegue fazer tudo da melhor maneira de primeira, você precisa ultrapassar os obstáculos e com a disciplina e foco é possível. É papel das instituições representativas e também das lideranças ajudar o jovem encontrar sua identidade. Devemos pensar: Qual é a comunidade que nós queremos? Individualista ou que pensa na coletividade? Precisamos ajudar neste processo, onde todos irão crescer. Costumo falar: O importante não é aonde você vai chegar, mas sim o caminho que você irá percorrer.