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Publicada em 13/03/2014

Abertura de Dinapec 2014 é marcada por resultados de esforços conjuntos

Feira de Embrapa Gado de Corte foi aberta nesta quarta-feira em Campo Grande.

Da assessoria

O desafio é grande, mas pesquisa, extensão rural e assistência técnica podem trabalhar juntas, como uma engrenagem, talvez não perfeita, porém adaptada à realidade do setor agropecuário, respeitando as peculiaridades de cada segmento, suas limitações e ponderações. Tal visão foi comprovada durante a abertura oficial da Dinâmica Agropecuária - Dinapec (12), realizada na Unidade da Embrapa, em Campo Grande-MS.

Nesta 9ª edição, o Sistema Famasul, a Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer), a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, juntamente com outros parceiros, apresentaram alguns frutos dessa engrenagem.

O primeiro deles foi a formatura da segunda turma do Projeto Agroescola, um acordo de cooperação entre a Embrapa Gado de Corte, a Fundect, a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e a Prefeitura Municipal de Campo Grande, no qual 12 estudantes participaram por, aproximadamente, dez meses, de um treinamento em pecuária de corte. Os alunos, vindos de escolas técnicas profissionalizantes de Mato Grosso do Sul, passaram por seleção prévia, receberam bolsa-auxílio e atualizaram seus conhecimentos, em teoria e prática, com os técnicos e pesquisadores da Embrapa e UFMS.

O segundo são ferramentas de qualificação. Na abertura foram firmadas duas parcerias com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), integrante do Sistema Famasul. Uma para a promoção de Ensino a Distância (EaD) e outra para a construção do Centro de Excelência Tecnológica de Pecuária de Corte em MS na área da Embrapa. Os instrutores do Brasil serão treinados em pecuária de corte, durante 160 horas; e o Centro de Excelência formará profissionais com informação técnica para atuar e aplicar tecnologias.

“Nossa meta é tirar a tecnologia das prateleiras e levá-la ao campo, onde há necessidade. Aplicar as pesquisas, onde há demanda. A Embrapa é a parceira natural para que possamos alcançar isso, assim como, Mato Grosso do Sul oferece o ambiente natural para a parceria", afirma Daniel Kluppel Carrara, secretário-executivo do Senar. “O conhecimento ainda não chega ao produtor rural, é um processo que precisa ser acelerado e temos que dar velocidade a isso no país. Agilizar, capacitar, fazer a pesquisa chegar aos técnicos, dar assistência técnica e colaborar com a extensão rural”, reforça João Martins da Silva Jr., vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Para o chefe-geral da Embrapa Gado de Corte, Cleber Oliveira Soares, as razões para manter o tripé Pesquisa-Extensão-Assistência rodando não são poucas. Uma delas é “atender a demanda mundial por alimentos. Em 2050 prevê-se que o planeta tenha 9 bilhões de habitantes e como alimentá-los? A Embrapa não trabalha sozinha. A Empresa completou 40 anos de existência, foi um salto na agricultura tropical, encerra-se um ciclo, inicia-se outro.

Não se deve esperar mais 40 anos para evoluir, é uma ação diária e sem integração não é possível”, acentua Cleber. A perspectiva é confirmada pelo diretor-executivo da Agraer, José Alexandre Ramos Trannin, que grifa: “a tecnologia não é discriminatória, ela é adaptável, válida para todos os segmentos. Temos que levar conhecimento sim, mas efetivo para os pequenos, médios e grandes produtores do país”.

Lançamentos

Também com a colaboração do Sistema Famasul - Senar/MS foi publicada a obra “Melhoramento genético aplicado em Gado de Corte - Programa Geneplus/Embrapa”, editada pelos melhoristas Antonio do Nascimento Rosa, Elias Nunes Martins, Gilberto Romeiro de Oliveira Menezes e Luiz Otávio Campos da Silva. Os 48 autores relataram a atuação da Embrapa em melhoramento genético de bovinos de corte, linha de pesquisa em desenvolvimento na Empresa desde 1977.

“Este ano completamos 30 anos do primeiro trabalho de avaliação da raça Nelore, considerado o embrião do Sumário de Touros e na época observamos que os produtores não queriam saber somente de touros, mas de matrizes e isso impulsionou a criação do programa de melhoramento Embrapa-Geneplus em 1986, antes disso o grupo de pesquisa já atuava. O melhoramento acontece no rebanho, com os técnicos, os produtores, na fazenda”, salienta o pesquisador Antonio Rosa.

Outro lançamento foi o livro “Carrapatos do Brasil – biologia, controle e doenças transmitidas”, com o suporte da empresa Biogénesis Bagó, que “não esgota o assunto, mas o condensa de forma objetiva e prática, principalmente, para a cadeia produtiva”, avalia Renato Andreotti e Silva, editor da publicação ao lado de Wilson Werner Koller. “São 900 espécies de carrapatos e somente uma delas causa prejuízos na escala de dois milhões de dólares no setor de bovinocultura de corte e leite. O trabalho é mais uma contribuição para que produtores e especialistas tenham acesso à informação”, acrescenta.

BRS Zuri

Disponibilizar um novo material no mercado de forrageiras tropicais é também uma tarefa de equipe. A cultivar de Panicum maximum BRS Zuri foi desenvolvida em conjunto com pesquisadores da Embrapa Gado de Corte, Embrapa Acre, Embrapa Gado de Leite (MG), Embrapa Cerrados (DF), Embrapa Rondônia, Embrapa Pecuária Sul (RS) e Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), com apoio da Associação para o fomento à pesquisa de melhoramento de forrageiras (Unipasto), que desde 2001 contribui na divulgação e comercialização das cultivares.

Apresentada na abertura e exposta no campo durante os três de Dinapec, a BRS Zuri “chega para agregar mais opções de cultivares dessa espécie além das três já lançadas - Tanzânia, Mombaça e Massai. A Zuri vem trazer à classe produtora uma opção de forrageira de alta produtividade e qualidade, altamente resistente às cigarrinhas e com elevado grau de resistência ao fungo foliar”, assegura Liana Jank, pesquisadora e coordenadora do Programa de Melhoramento de Panicum.