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Publicada em 11/03/2014

Medidas governamentais freiam competitividade do etanol

Avaliação é do pesquisador da USP, Marcos Fava Neves.

Da assessoria

Com uma boa gestão política, em pouco tempo o Centro-Oeste poderá contar com mais 50 ou 60 novas usinas, estrategicamente instaladas em cidades para potencializar seu desenvolvimento e gerar etanol, eletricidade e açúcar, além de outros produtos. Este é o panorama desenhado pelo pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), Marcos Fava Neves, destacando que o setor sucroenergético brasileiro vem passando por um momento de crise. O pesquisador ministrará a palestra “Ações para competitividade da produção e industrialização da cana-de-açúcar” durante o Canacentro 2014, no dia 20 de março, no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo.

A crise do setor é gerada pelas medidas governamentais errôneas de protecionismo político ao segurar o preço da gasolina e assim frear a competitividade do etanol. "Estamos em uma crise artificialmente e desnecessariamente criada pelo Governo Federal que está destruindo o setor sucroenergético e a Petrobras", afirma Fava Neves.

Segundo o pesquisador, esta crise prejudica um setor que poderia alavancar ainda mais a economia, além de gerar emprego e renda. "Deixamos de lado um dos negócios mais admirados que o Brasil tinha no Mundo, o etanol de cana, para focarmos em fontes poluentes de energia. Apesar de encontrarmos preços melhores na atual safra, o endividamento ao qual o setor foi colocado faz com que todo o ganho operacional e de preços se perca no pagamento de juros de dívidas", ressalta.

Uma das saídas para amenizar os efeitos deste atual panorama seria, segundo Fava Neves, a intensificação da agenda do setor privado, ou seja, do contato entre as usinas e os produtores, juntamente com as entidades representativas. "Atualmente temos uma agenda no setor privado, que envolve tanto as usinas como os produtores de cana, baseado em uso mais eficiente de recursos e controle de custos. Este contato intensificado entre os dois elos da cadeia pode ajudar neste momento de crise".

Em relação ao Centro-Oeste, Fava Neves enfatiza que o setor sucronérgetico tem a capacidade de complementar as demais culturas da região, levando renda e interiorizando o desenvolvimento. "É necessário que seja replicado o ganho que existiu em municípios onde uma ou duas usinas foram instaladas, como aconteceu no município de Caarapó, em Mato Grosso do Sul", afirmou o especialista acrescentando que com as medidas adequadas, o setor deverá ter um crescimento sustentável.

Canacentro 2014

O evento acontecerá entre os dias 19 e 21 de março e é promovido pela Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Sistema Famasul), em parceria com a Associação dos Produtores de Bionergia de Mato Grosso do Sul (Biosul).

Além do Fava Neves, a programação traz palestras do engenheiro agrônomo e doutor em Economia Aplicada da USP, Alexandre Mendonça de Barros; do diretor da Associação Brasileira do Agronegócio, Alexandre Enrico Figliolino, e do presidente da Dastagro - consultoria em açúcar e álcool, Plínio Nastari.

O evento tem ainda o apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/MS), Governo do Estado de MS, Secretaria de Estado de Produção e Turismo (Seprotur), Fundação MS, Federação das Indústrias de MS (Fiems/Sesi) e do Fórum Nacional Sucroenergético.

A abertura oficial do 2° Canacentro ocorre as 19h do dia 19 de março, no Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camillo. "