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Agrobussines

Publicada em 27/02/2014

Crise no setor sucroenergético dá o tom no lançamento do Canacentro

Evento será realizado entre os dias 19 e 21 de março, em Campo Grande.

Anderson Viegas

A crise que aflige a agroindústria canavieira brasileira deu o tom nos discursos do lançamento da 2ª edição do Congresso do Setor Sucroenergético do Brasil Central (Canacentro), realizado na manhã desta quinta-feira (27), na sede da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), em Campo Grande.

O evento, será realizado entre os dias 19 e 21 de março, no centro de convenções Rubens Gil de Camillo, também em Campo Grande e contará com as palestras de alguns dos principais especialistas no setor, como o agrônomo e doutor em Economia Aplicada pela USP, Alexandre Mendonça de Barros; do professor de Estratégia e Planejamento da USP, Marcos Fava Neves, do presidente da consultoria Datagro, Plínio Nastari e do diretor comercial para Açúcar e Etanol do banco Itaú BBA, Alexandre Enrico Figliolino.

Roberto Hollanda, presidente da Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul), uma das entidades que promove o evento, destacou que o setor tem um grande potencial, que está sendo desperdiçado. “Colocamos o Brasil na liderança mundial do mercado de açúcar, podemos oferecer uma resposta rápida e eficiente para o fornecimento de energia elétrica para o país no período de escassez de chuvas e o uso do etanol tem uma série de vantagens em relação a gasolina, mas o setor está sendo sendo prejudicado por uma política pública equivocada”, destaca.

Hollanda lembrou que entre 2006 e 2007, antes da crise, o setor chegou a inaugurar mais de 30 unidades em um ano, sempre com pelo menos um greenfield em Mato Grosso do Sul, mas que nos últimos anos o número de novos projetos vem caindo até chegar ao ponto que em 2014 não deve ocorrer nenhuma inauguração de usina nova no Brasil.

“Até 2020, para mantermos a participação atual no mercado de combustíveis, em razão do aumento da demanda, precisaríamos de 90 novas unidades, mas não temos nenhum novo projeto sendo encaminhado em razão do panorama atual do setor”, comenta, completando, entretanto, que as indústrias do segmento vêm mantendo os investimentos para reduzir custos e melhorar sua produtividade e competitividade, por meio do melhoramento genético de variedades de cana e desenvolvimento do etanol de segunda geração.

Já Luis Alberto Moraes Novaes, presidente da Comissão de Bioenergia da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), outra entidade promotora do Canacentro, disse que com o objetivo de aprofundar as discussões sobre o panorama do segmento, que também foram convidados para fazerem palestras no congresso os três principais presidenciáveis: Dilma Rousseff (PT), o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) e o senador Aécio Neves (PSDB).

Além dos convites para as palestras, Novaes revelou que o Canacentro deverá produzir um documento final, uma carta de considerações, que vai resumir as discussões e as sugestões para que o setor volte a crescer, e que será entregue para os três presidenciáveis.

Em contrapartida, mesmo com o cenário pouco favorável ao setor em âmbito nacional, a secretária estadual de Desenvolvimento Agrário, da Produção, da Indústria, do Comércio e do Turismo, Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias, comentou que o segmento está crescendo em Mato Grosso do Sul. Ela explica que as plantas já instaladas estão ampliando a capacidade de produção e seus canaviais e que neste ano grupos empresariais procuraram o governo do Estado em busca de informações sobre o ambiente institucional que encontrariam em Mato Grosso do Sul para a instalação de novas usinas. “Foi uma consulta bem preliminar, mas é um indicativo de que alguma coisa está acontecendo, de que essas empresas estão vendo alguma coisa adianta”, comenta.