Canais de Notícia

Agrobussines

Publicada em 13/12/2013

Em PE, negociação de engenhos reunirá canavieiros revoltados

Os agricultores discutirão quais medidas vão tomar diante das desapropriações que os revoltaram.

Unida

Na próxima terça-feira (17), centenas de produtores de cana revoltados com a decisão da negociação de cinco engenhos da usina Cruangi com o governo estadual, reúnem-se às 9h, no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Nazaré da Mata. Os agricultores discutirão quais medidas vão tomar diante das desapropriações que os revoltaram, porque, de acordo com a Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP) e o Sindicato dos Cultivadores de Cana do Estado (Sindicape), a ação vai inviabilizar o pagamento da dívida de R$ 5 milhões da usina com os canavieiros, situação que estava sendo negociada, inclusive com o governo.

Os engenhos desapropriados são o Cumbe, Juliãozinho, Jussara, Jussarinha e o Trincheiras, todas da Cruangi, em Timbaúba. As propriedades da Usina Pumaty foram os engenhos Arranca e Almecega, no município de Água Preta. As desapropriações foram divulgadas nesta terça-feira (10), no Diário Oficial do Estado. “A maioria desses engenhos da Cruangi estava arrendada a produtores de cana”, diz o presidente da AFCP, Alexandre Andrade Lima, lembrando que a AFCP e o Sindicape já negociavam uma das áreas como forma de pagamento das dívidas com os agricultores.

Lima informa que a negociação do engenho Jussara, por exemplo, já estava bem avançada com a diretoria da Cruangi. O negócio aguardava a usina negociar com o arrendatário da área. O engenho seria utilizado para pagar a dívida com os produtores de cana. “Mas, a desapropriação nos surpreendeu e até o próprio arrendatário”, diz. O dirigente ressalta conhecer que as usinas podem negociar seus engenhos com o Estado quando têm dívidas com ele, conforme prevê a lei, mas esperava que neste caso, tendo em vista que ambas as usinas estão fechadas e devendo aos seus trabalhadores e aos fornecedores, houvesse uma intervenção propositiva do governo, para resolver o caso na intenção de fazer com que as usinas voltarem a funcionar, evitando o caos social.

“Os ex-funcionários das usinas contam com as leis trabalhistas para lhes defenderem, o que é muito justo, mas qual lei que protege o agricultor”, questiona Lima. Ele destaca que ao fornecer a cana para estas usinas, que ainda não pagaram, os agricultores cumpriram com as obrigações, a começar com os seus trabalhadores.

O dirigente lembra que há outro problema com as desapropriações. Três dos cinco engenhos da Cruangi estão arrendados por famílias há pelo menos 75 anos. É o caso dos engenhos Jussarinha e Jussara com 666 e 291 hectares respectivamente. O Trincheiras remonta ao ano de 1937. “Como estão há muito tempo no local, são praticamente donos desses engenhos. Os contratos com a usina é por tempo indeterminado. Assim, na prática, a desapropriação dessas propriedades trará grande prejuízo para estas famílias, pois serão indenizadas somente pelas benfeitorias existentes na propriedade, mas não pelo tempo que iriam produzir nas terras. Se a usina tivesse de negociar a saída delas, seria diferente”, diz Lima. Neste contexto, ele garante que se a AFCP e o Sindicape estivesse participado do debate sobre as desapropriações, poderia ter evitado este e outros problemas exclusivo para o fornecedor de cana.

O dirigente ressalta que no início das negociações até que participou da discussão com a usina e com o governo, mas depois não foi mais convidado, acreditando que as negociações estavam suspensas. A posição dos fornecedores de cana era para o governo desapropriar uma área maior, pois daria para as usinas se capitalizarem, a fim de que elas pagassem os passivos com os agricultores e voltarem a moer. “Não entendemos porque não foi desapropriada uma área de 11 mil hectares da usina Maravilha, já que as áreas desapropriadas serão usadas para o polo automotivo do estado, e estas terras estão bem próximas da Fiat”, critica.

Além do mais, Lima diz que alguns das propriedades escolhidas para serem desapropriadas são de difícil acesso. “Não é possível que o governo não tenha visto isto”, pergunta. O dirigente diz não entender o porquê o Estado está atendendo o desejo dos empresários da usina, mesmo sendo estes empresários responsáveis pelo passivo social sem precedentes na região, com o fechamento das unidades industriais.