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Publicada em 06/12/2013

Com ou sem leilão, produtores mantêm movimento da resistência

De acordo com o presidente da Federação, Eduardo Riedel, o movimento é uma expressão legítima dos produtores em defesa do direito de propriedade e de sua integridade física.

Famasul

A Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Sistema Famasul) e a Associação dos Criadores de MS (Acrissul) vão manter o movimento da resistência programado para este sábado (07). A decisão foi anunciada em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (4), na Famasul, em resposta à liminar concedida pela juíza da 2ª Vara da Justiça Federal, Janete Lima Miguel, impedindo a realização de leilão no evento.

De acordo com o presidente da Federação, Eduardo Riedel, o movimento é uma expressão legítima dos produtores em defesa do direito de propriedade e de sua integridade física. "Com ou sem leilão, iremos nos reunir no dia 7. Se formos impedidos de nos unir para discutir nossos problemas, teremos a morte da democracia", afirmou. Segundo o dirigente, as entidades ficaram sabendo da liminar por meio da imprensa. "Vamos manter a manifestação e assim que o processo estiver em nossas mãos, tomaremos as ações judiciais cabíveis".

O presidente da Acrissul, Francisco Maia, salientou que o principal objetivo do leilão da resistência sempre foi a conscientização da população e dos produtores e não a formação de milícia como foi equivocadamente veiculado pela imprensa. "Quando há uma decisão judicial contra os indígenas, eles rasgam e agora eles pedem a proteção da Justiça?", questionou.

Para o advogado dos produtores rurais das áreas invadidas de Sidrolândia, Newley Amarilla, a decisão judicial é um ato arbitrário e revelador da parcialidade da Justiça. "A Justiça concede uma liminar e manda para a imprensa primeiro, o que coloca em risco de maneira irresponsável sua reputação", destacou.

Também questionando a parcialidade do judiciário, o deputado estadual Zé Texeira lembrou o caso da fazenda Buriti. "Milícia foi o que os indígenas fizeram ao invadir armados a fazenda Buriti e enfrentar a polícia. A Famasul e a Acrissul não têm poder para contratar seguranças. Mas o produtor rural tem esse direito, garantido por lei".

O movimento da resistência já tem a presença confirmada de mais de 2 mil produtores, da presidente da confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, do senador Ronaldo Caiado, além da participação da bancada federal, dos deputados estaduais e de lideranças rurais de outros Estados. Segundo a Acrissul, o leilão já arrecadou, por meio de doações, mais de 800 bovinos, além de animais de pequeno porte e grãos. Os promotores do leilão estimavam uma arrecadação de R$ 3 milhões que serão destinados a ações em defesa e proteção dos produtores de áreas invadidas.

Estiveram presentes na coletiva de imprensa, além das lideranças já citadas, a deputada estadual Mara Caseiro, o diretor secretário da Famasul, Ruy Fachini, o assessor jurídico da entidade, Carlo Daniel Coldibelli, a advogada de produtores, Luana Ruiz, o produtor rural, Ricardo Bacha, assim como outros produtores rurais. Atualmente existem 80 propriedades rurais invadidas em MS.