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Publicada em 27/09/2013

Cantões da Cana relembra história do Grupo Andrade e visita Salinas

Expedição reencontra amigos, recorda histórias de superação e visita a terra da cachaça brasileira.

Da Redação

O Projeto ‘Cantões da Cana’, que já percorreu mais de 30 mil quilômetros, tem desbravado cada vez mais novas regiões pelo Brasil. Dessa vez foi o Triângulo mineiro a ser explorado. A Companhia Energética Vale do São Simão (Grupo Andrade), localizada em Santa Vitória, MG e a fábrica da Cachaça Salinas receberam a visita do idealizador Tercio Dalla Vecchia, CEO da Reunion Engenharia.

Apesar de as visitas ecoarem um tom alcoólico, renderam generosas conversas sobre as histórias de superação das duas companhias. O Grupo Andrade teve início em 1961 quando o pai de José Carlos Andrade montou um engenho de pinga em Pitangueiras, SP, com uma produção de 12 toneladas por horas, apenas 12 funcionários, 60 cortadores de cana e muita pinga.

Depois de formado, José Carlos assumiu a parte industrial, buscou alternativas tecnológicas para melhorar os processos, adquiriu novos equipamentos e chegou a alcançar uma produção de 22 milhões de litros de etanol por ano. Com o tempo, o Grupo amadureceu, arrendou novas terras, passou a fabricar e estocar etanol, trocou moendas de maior capacidade e atingiu a casa dos 300 milhões de litros de etanol, em 1993.

Considerada a maior destilaria autônoma do Brasil, o Grupo Andrade chegou a estocar 100 milhões de litros de álcool em Paulínia, SP e 30 milhões na Usina Santa Lídia. Segundo José Carlos Andrade, parte do etanol era vendida na mesa distribuidora e o que sobrava era destinado ao petróleo brasileiro. “Em 97, a crise nos pegou e o governo nos deixou a ver navios, mas em 98 passamos a fabricar açúcar através de um projeto financiado”, disse.

Em 2002, o Grupo montou outra usina, a São José, localizada em Colina, SP e profissionalizou sua gestão nos cargos da superintendência e do comercial. José Carlos que era diretor industrial, consultor técnico e membro do conselho precisou abrir mão dos seus cargos e decidiu montar sua própria consultoria em Ribeirão Preto, SP – a Andrade Consult.

Em 2006, a unidade industrial São José passou a fazer parte do Grupo Guarani e, em 2007, o controle acionário da Andrade Açúcar e Álcool S/A foi adquirido pelo Grupo.

Desde então, o consultor vislumbrou novas possibilidades para a Cia Energética de São Simão e montou um projeto de cinco milhões de toneladas por safra, com a ajuda da Reunion Engenharia, sendo inicialmente para um milhão.

“No ano seguinte começamos a terraplanagem e em julho do mesmo ano botamos fogo na caldeira”, lembrou José Carlos dizendo que apesar das inúmeras dificuldades com o transporte, moradia, mão de obra, licença, variedade da cana, problemas climáticos, entre outros, espera moer em 2014 cerca de três milhões de toneladas de cana e está fazendo parcerias na cogeração.

Ícone da Cachaça

A visita à fábrica da Cachaça Salinas foi um marco para a Expedição. Batizada pelo nome da cidade, com o intuito de homenagear a terra, nos anos de 1986, hoje ela é um ícone no mundo da Cachaça e para seus apreciadores pela incontestável qualidade.

Tercio Dalla Vecchia em conversa com o Sr. Sabino de Souza, nascido e criado em Salinas, MG, percebeu que o gosto da família em consumir cachaça motivou a produção artesanal, primeiramente, para consumo próprio e, mais tarde, para comercialização em pequena escala.

Muito apreciada pelos clientes, a família decidiu montar um pequeno alambique de apenas 20 litros em tom de ‘brincadeira de menino’ que se tornou ponto de encontro na cidade. “Uma das produções rendeu 240 litros. Bebemos quase tudo, presenteei amigos e todos diziam que a cachaça era preciosa – nome dado à Cachaça na época”, declarou Sabino que este ano irá produzir somente 20 mil litros por não ter cana suficiente devido à escassez de chuva.

“Ouvir as histórias e vivenciar cada visita nesses encontros tem sido espetacular. Sinto-me privilegiado em concretizar essa Expedição e poder extrair dela muitas lições de vida e extenso conhecimento”, disse Tercio.

A Expedição que será expressa em um Livro intitulado ‘Cantões da Cana’, não só resulta em visitar as unidades processadoras de cana-de-açúcar do Brasil e do exterior, mas também contribuir para este setor que tanto colaborou com a Reunion Engenharia, ao longo dos 20 anos.

A Fase 1 da Expedição visitou usinas dos Estados Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e unidades de São Paulo. Já a Fase 2 segue visitando alguns municípios do Estado da Bahia, Norte de Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro.