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Publicada em 20/09/2013

Usinas vencem leilão e vão fornecer energia por oito anos a concessionária de MS

Usinas Caarapó e Vista Alegre vão comercializar 23 MW médios ou 201.840 MWh por ano.

Anderson Viegas

As usinas sucroenergéticas Caarapó, da Raízen, localizada no município de mesmo nome, e Vista Alegre, da Tonon Bioenergia, em Macaraju, venceram nesta quarta-feira (18) o leilão de energia de biomassa realizado pela Enersul, concessionária de energia que atende 74 dos 78 municípios de Mato Grosso do Sul.

Segundo a Enersul, esse foi o primeiro leilão para comprar energia de geradoras do Estado que estão conectadas a sua rede. As duas usinas vão comercializar com a empresa 23 MW médios ou 201.840 Mwh anuais, por um período de oito anos. A entrega será feita a partir de dezembro deste ano.

Conforme a concessionária, a energia foi adquirida com as usinas oferecendo um deságio de cerca de 13,4% em relação ao preço teto admitido pela regulamentação do setor elétrica. A empresa aponta que se toda essa energia fosse destinada para atendimento exclusivo de consumidores residenciais, seria possível abastecer mais de um milhão de casas.

A Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul) aponta que a energia vendida pelas usinas Caarapó e Vista Alegre neste leilão era um excedente que era produzido pelas unidades.

A entidade aponta que das 22 usinas em operação no Estado, nove exportam energia para o Sistema Elétrico Nacional. Na safra passada entregaram 1.325 GWh, volume que seria suficiente para atender quase todo o consumo residencial do Estado.

Ainda de acordo com a Biosul, a energia vendida no leilão desta quarta foi o equivalente a 15,2% do total exportado pelas usinas sucroenergéticas sul-mato-grossense no ciclo 2012/2013.

Também exportam a energia cogerada em Mato Grosso do Sul, as usinas: Angélica, da Adecoagro; Monteverde, da Bunge, Costa Rica, da Odebrecht Agroindustrial; Eldorado, da Odebrechet Agroindustrial; Santa Luzia, da Odebrecht Agroindustrial, Rio Brilhante, da Biosev e São Fernando.

Processo de cogeração

Desde 2001, quando ocorreu o apagão, a produção de bioeletricidade pelas usinas sucroenergéticas ganhou impulso. As unidades, que cogeravam apenas para o consumo próprio, passaram a investir em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias que aprimoraram o processo, tornando possível a produção de excedentes que poderiam ser comercializados.

O bagaço, que antes era considerado uma resíduo do processamento do etanol e do açúcar, passou a ser visto como uma matéria-prima importante. O produto é queimado nas caldeiras produzindo o vapor, que depois movimenta as turbinas que geram bioeletricidade. Em média, um terço da energia é para o consumo próprio das unidades e o excedente pode ser comercializado.