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Parallaxis

Publicada em 16/08/2018

IBC-Br de Jun/18 indica devolução das perdas oriundas da greve de maio

Parallaxis

O indicador de atividade do Banco Central (IBC-BR), tido como proxy do PIB brasileiro, apresentou avanço de 3,29%, no mês de Jun/18, na comparação mensal com ajustes sazonais, após ter retraído 3,28% em Mai/18, então refletindo os impactos da paralisação no setor de transportes. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o indicador apresentou variação positiva de 1,82%, após desabar 2,91% no mês anterior, no mesmo modo de comparação. O resultado do mês foi em linha com as pesquisas de atividade: produção industrial, serviços e vendas no varejo ampliado, para o mês, as quais expressaram todas uma compensação das perdas oriundas da greve de maio, com exceção das vendas varejo, que apesar da queda menos intensa, manteve em trajetória descendente.

Em 12 meses o indicador acumulou avanço de 1,30%, melhorando marginalmente em relação ao resultado encerrado em 12 meses até Mai/18, de +1,11%, e em relação ao mesmo período do ano anterior (Acumulado 12 meses em Jun/2017), quando o indicador apontava recuo de 1,43%.

O resultado de Jun/18 ainda segue em linha com nossa expectativa para o PIB no ano de 2018, que seguiu inalterada em 1,3%, em função do desaquecimento no mercado de trabalho e refletindo o choque representado pela greve dos caminhoneiros, além das restrições de ordem interna e internacional. Não esperamos mudanças significativas no ritmo de atividade, após o resultado mensal ter compensando as perdas do mês anterior. Naturalmente, o desenvolvimento das incertezas relativas ao incipiente processo eleitoral, ou mesmo o acirramento dos conflitos comercias no plano mundial, poderão provocar a revisão de nossas expectativas. De toda forma, destaca-se a baixíssima qualidade da alardeada recuperação, que segue a passos lentíssimos.

No que diz respeito ao fechamento do 2º trimestre, ainda que sirva apenas como proxy e possua metodologia distinta, o IBC-br indicou retração na ordem de 1%, descontados os impactos sazonais, na passagem do 1º ao 2º trimestre. Na comparação com igual período do ano anterior, o avanço foi ligeiro, de 0,89%. Ambas as comparações ilustram a baixa qualidade da recuperação, reforçando nossas expectativas para um ano de baixo desempenho, cerceado por incertezas de toda ordem.

Apesar de algumas condições conjunturais seguirem favoráveis (inflação controlada e juros em queda) à retomada do consumo, por outro lado, fatores como a qualidade da recuperação do mercado de trabalho – baseada em empregos de qualidade inferior – e o spread bancário elevado, impedem a retomada mais robusta do consumo. Ainda permanece como ponto positivo as famílias já terem passado em grande medida pelo grosso do processo de desalavancagem, o que nos leva a esperar um crescimento superior ao de 2017. Por outro lado, as empresas que ainda estão em processo de desalavancagem seguem atrasando a recuperação da economia e atravancando os investimentos nos setores de maneira ampla. Demais, as crescentes incertezas oriundas do processo eleitoral, os impactos fiscais da greve dos caminhoneiros, aliadas à perspectiva de volatilidade externa, conspiram para atacar a formação das expectativas dos agentes, agravando ainda mais o quadro para 2018.